Trump demite secretário da Marinha por se opor a nova classe de navios de guerra

Por Rodrigo Pedrosa
24/04/2026 23h07

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 23, a demissão do secretário da Marinha, John Phelan, em meio a desavenças com membros do Pentágono sobre a construção e compra de novos navios. A saída de Phelan foi confirmada pelo Pentágono na noite anterior, com efeito imediato, e ele foi substituído interinamente pelo subsecretário da Marinha, Hung Cao.

Trump comentou que Phelan, que se mostrava enérgico, enfrentava conflitos com outros líderes do Departamento de Defesa, especialmente em relação a iniciativas de construção naval. “Eu sou muito agressivo na construção de novos navios e, de alguma forma, ele simplesmente não se dava bem com eles”, afirmou o presidente durante uma conversa no Salão Oval.

Fontes do Congresso revelaram que o vice-secretário de Defesa, Steve Feinberg, não estava satisfeito com a maneira como Phelan gerenciava a grande iniciativa naval, levando à retirada de algumas de suas responsabilidades. Além disso, houve tensões entre Phelan e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, em torno de questões de gestão e pessoal.

No final do ano passado, Trump, ao lado de Phelan, havia anunciado a criação de uma nova “Frota Dourada” de navios de guerra avançados, com investimentos planejados de mais de US$ 65 bilhões até 2027. Essa frota incluirá 18 navios de guerra e 16 embarcações de apoio, com previsão de início das construções a partir de 2030.

A demissão de Phelan ocorre em um contexto de mudanças significativas nas lideranças do Departamento de Defesa desde o início do segundo mandato de Trump. Em janeiro do ano passado, ele dispensou a comandante da Guarda Costeira, almirante Linda Fagan, e, no mês seguinte, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Charles Q. Brown, foi afastado. Outras demissões, incluindo a do general Timothy Haugh da Agência de Segurança Nacional, também marcaram este período.

Mais recentemente, Hegseth demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, em uma decisão que refletiu tensões internas. Na mesma semana, outras exonerações ocorreram, afetando líderes de várias áreas do Pentágono.

Essa reestruturação nas Forças Armadas acontece em um momento delicado, com a guerra no Oriente Médio e o bloqueio naval ao Irã, ressaltando a busca do governo por uma maior eficiência e alinhamento nas políticas de defesa.