Em uma manobra política que gerou polêmica, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A mudança ocorreu antes da votação do relatório final, que pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi rejeitado por seis votos a quatro.
Os senadores expressaram suas preocupações sobre a troca de integrantes da CPI, que aconteceu após a leitura do relatório. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), usou suas redes sociais para criticar a alteração, ressaltando que a democracia exige respeito aos resultados das votações, mesmo quando desfavoráveis. Ele também destacou que a substituição de senadores que apoiariam o relatório por aqueles que votaram contra seguiu a orientação do governo.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) se manifestou em um vídeo, afirmando que embora todos têm direito à defesa, ninguém está acima da lei. Por sua vez, Marcos do Val comentou em suas redes sociais sobre a “reação brutal do sistema” contra aqueles que buscam justiça.
A articulação para a troca de senadores foi uma ação conjunta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Moro, ao se pronunciar, afirmou que essa manobra prejudica o andamento das investigações e impede a apuração dos fatos.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também criticou a mudança, ressaltando que a alteração de membros da CPI no momento da votação é uma alteração das regras do jogo, o que compromete a integridade do processo. A CPI do Crime Organizado conta com 11 senadores titulares, dos quais dez votam, além de sete suplentes.



