A Livraria da Travessa, uma das mais icônicas do Brasil, planeja um faturamento de R$ 154 milhões em 2026, um crescimento de cerca de 10% em relação aos R$ 140 milhões registrados no ano passado. Em um cenário onde grandes redes estão fechando, a livraria, que nasceu no Rio de Janeiro, se destaca por sua força e resiliência.
Fundada nos anos 1980 por Rui Campos, a rede conta atualmente com 15 lojas no Brasil e no exterior, empregando cerca de 300 pessoas. Apesar do crescimento do comércio eletrônico, as lojas físicas continuam sendo a espinha dorsal do negócio.
A história da Livraria da Travessa remonta a 1975, quando Rui Campos deixou Minas Gerais para trabalhar em uma pequena livraria em Ipanema. O local rapidamente se tornou um ponto de encontro para artistas e escritores, especialmente durante a repressão cultural da ditadura. Em 1986, a marca foi oficialmente criada com a abertura de uma unidade na Travessa do Ouvidor, no centro do Rio.
A expansão da rede ocorreu de forma gradual, sem um planejamento rígido. “Cada loja tem a sua história”, afirma Campos, que, mesmo sem novas aberturas previstas para 2026, já está negociando três novas unidades para 2027, incluindo locais em ruas e shoppings.
Rui Campos destaca que a permanência das livrarias físicas se deve ao comportamento dos consumidores. Mais de 80% das compras são feitas por descoberta, com clientes entrando nas lojas sem saber exatamente o que desejam. O livro impresso ainda é o principal produto, representando a maior parte das vendas, enquanto os livros digitais têm menos de 10% de participação no mercado brasileiro.
Além dos livros, a Livraria da Travessa diversificou sua oferta com produtos de papelaria que representam cerca de 10% das vendas e discos, CDs e DVDs que somam aproximadamente 4%. O retorno dos vinis tem atraído a atenção dos clientes, criando uma experiência visual envolvente.
As lojas oferecem também um ambiente diferenciado, com cafés, auditórios e espaços de convivência. Eventos como lançamentos de livros e encontros com autores são parte da proposta de valor da livraria. Para Rui Campos, a livraria é mais do que um local de venda; é um espaço de conexão entre leitores e amantes de livros.
Com esse modelo, a Livraria da Travessa tem conseguido se manter relevante em um mercado desafiador, resistindo à crise do setor e à concorrência das plataformas digitais.



